quinta-feira, 11 de março de 2010

MEMORIAL

MINHA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Nasci na Cidade de Assaré, Estado do Ceará, privilegiada por ser o berço de um dos maiores poetas populares brasileiros, o grande Antonio Gonçalves da Silva, conhecido popularmente por Patativa do Assaré.
Filha de pai agricultor e mãe funcionária pública, auxiliar de serviços gerais da única escola pública que existia no Município, o Grupo Escolar Almir Pinto, cedo descobri o gosto pela educação, já que vivenciei a sua trajetória no exercício dessa função durante a minha infância.
O referido fato foi tão marcante em minha vida que, as próprias brincadeiras de criança refletiam o meu desejo de ser uma profissional da educação. Inicialmente, apenas como entretenimento, posteriormente, ainda adolescente, como professora de reforço para as crianças da vizinhança, tendo como espaço a minha casa.
Quando acompanhava minha mãe, nos finais de semana, na limpeza da escola, preferia ficar na pequena Biblioteca, encantada com a leitura de livros infantis, vivendo os contos de fadas. Vale salientar a coleção de Monteiro Lobato que me fazia sonhar com o Sítio do Picapau Amarelo e seus personagens. Os muitos livros lidos favoreceram-me na leitura e na escrita, de forma que hoje, expresso-me por escrito e oralmente com certa facilidade.
Concluí o Ensino Fundamental no ano de 1975 na minha terra natal. No ano seguinte, 1976, minha família migrou para Minas Gerais. Em Belo Horizonte, cursei o Ensino Médio, sempre sonhando com o retorno a Assaré, pois sentia que uma grande missão ali me aguardava.
Retornei em 1981 e fiz vestibular na Faculdade de Filosofia da cidade do Crato, para o curso de Ciências, tendo sido aprovada.
O sonho de infância de ser professora tornou-se realidade a partir desse ano de 1981, quando fui contratada para a Rede Estadual, iniciando minha carreira na Escola de 1º e 2º Graus Raimundo Moacir Alencar Mota, lecionando as disciplinas de Matemática e Ciências nas séries do 1º Grau maior. A partir daí, já cursando a graduação em Ciências, atualmente Biologia, ampliei o meu raio de atendimento para o 2º Grau. Nessas turmas, trabalhei disciplinas profissionalizantes, já que se tratava de formação para o magistério, como didáticas, filosofia, sociologia, entre outras.
Em 1984, concluí a graduação, sempre procurando meios de aperfeiçoamento que, naquela época, não eram tão fáceis. A partir dessa busca, tive a oportunidade de fazer um Curso por Correspondência intitulado “Tecnologia Educacional Aplicada ao Ensino de Ciências no Primeiro Grau promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia Educacional – ABT, em convênio com a Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa – FUNTEVE/MEC, no período de 24.07.87 a 15.08.88, com duração de 360 horas.
Em 1991 fui convidada a compor o núcleo gestor da Escola Raimundo Moacir Alencar Mota, como vice-diretora ao lado da diretora Maria Socorro de Melo Paiva que ocupava o cargo há quase vinte anos. Foram momentos de grande aprendizado, significando um divisor de águas em minha carreira, pois, tive a oportunidade de crescer enquanto profissional e pessoa, descobrindo que ser gestor significa exercer a democracia no seu verdadeiro sentido, além da necessidade do carisma, de saber mediar conflitos e, acima de tudo, preservar o clima escolar. Preocupações que, na função docente, apresentam-se de forma sutis.
No ano de 1993, tive a oportunidade de participar do Curso de Capacitação Gerencial para Administradores Escolares, promovido pela Secretaria da Educação do Estado do Ceará e realizado no período de 31 de Julho a 28 de Novembro, com uma carga horária de 200 horas. A partir desse curso, descobri que muito me identificava com a gestão escolar.
Em 1994, ingressei no Curso de Especialização Lato Senso em Planejamento Educacional pelo Projeto Novo Saber da Universidade Salgado Oliveira (UNIVERSO) de São Gonçalo – RJ. Curso que aprimorou o meu desempenho no trabalho pedagógico, já que fazia o acompanhamento dos professores nos planejamentos e estudos diversos.
Permaneci ocupando o cargo de vice-diretora até o ano de 1995, quando aconteceu o primeiro processo seletivo e democrático para escolha de diretores das escolas públicas estaduais. Embora apta a concorrer ao cargo de diretora, preferi compor a chapa de um dos candidatos que, sendo vencedora, rendeu-me a oportunidade de fazer um trabalho como diretora pedagógica no período de 1996 a 1998 na mesma Escola.
Percebendo que o gestor tem que atuar nos vários aspectos dentro da escola, senti necessidade de aperfeiçoar os meus conhecimentos a respeito dos trabalhos burocráticos ou de secretaria. A partir daí, resolvi fazer um curso de Secretária Escolar, oferecido pela Secretaria de Educação do Estado, com uma carga horária de 14.400 horas, no ano de 1998.
Em 1999, participei novamente do processo seletivo com sucesso e submeti-me às eleições para direção da citada Escola que já se denominava Escola de Ensino Fundamental e Médio Raimundo Moacir Alencar Mota. Sendo eleita para um período de três anos, empreendi um trabalho de reestruturação da Escola em todos os sentidos, já que a mesma encontrava-se deficiente nos aspectos administrativo e pedagógico. Na época, fez-se necessário um trabalho de articulação de todos os segmentos da comunidade escolar para que fosse efetuado o resgate da credibilidade da Instituição que se encontrava comprometida. Após um ano de intenso trabalho, já se poderia notar a diferença no âmbito da organização burocrática, pedagógica e no da participação dos vários segmentos. A implementação de um trabalho de parcerias foi fundamental para tal êxito, sendo primordial a continuidade dessas ações para o crescimento da Unidade Escolar em potencial. O mandato estendeu-se até 2001.
Em 2001 participei, pela segunda vez, do processo de eleições para diretora da mesma Escola. Foi um período conturbado e difícil, porém de muito aprendizado e crescimento pessoal e profissional. Este mandato estendeu-se até 2004, sempre pautado pela busca de uma escola democrática e inclusiva no sentido de abrir seus muros para um trabalho intersetorial, visando a qualidade do ensino oferecido.
Nesse período, participei do Programa de Formação Contínua à Distância para Gestores e Técnicos da Educação / Extensão em Gestão Escolar, promovido pela Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará e realizado pela Universidade Estadual do Ceará, entre abril de 2002 e maio de 2003, com carga horária de 258 horas.
Também participei da Formação Continuada de Coordenadores Pedagógicos promovida pelo 18º Centro Regional de Desenvolvimento da Educação em parceria com a SEDUC/CDTP, com carga horária de 200 h/a. Cada formação, significava mais um aperfeiçoamento e mostrava-me que ainda tinha muito o que aprender.
Em seguida, participei do Curso de Pós-Graduação em Gestão Escolar (PROGESTÃO), com uma carga horária de 360 horas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), entre Março e Outubro de 2004.
Em 2005, apareceu uma proposta que significou um grande desafio: assumir a secretaria-adjunta do Município de Assaré. Após muito pensar, encarei a situação e me propus a fazer um trabalho a nível de educação municipal que tem como principal objetivo erradicar o analfabetismo, a distorção idade-série, as turmas multisseriadas, a evasão e a repetência, tarefa árdua para quem tinha a vivência de gerir apenas uma escola. Nesse período, tive a oportunidade de participar da construção do Plano Municipal de Educação (PME) que refletia todos os anseios dos assareenses no que concerne à educação.
No espaço da Secretaria Municipal de Educação, as oportunidades de aperfeiçoamento foram surgindo, sem contar as diversas experiências que enriquecem-nos como profissionais e como seres humanos.
Entre as formações, participei do Curso de Formação de Tutores de Matemática para o Pró-Letramento, no período de Março a Dezembro de 2006, com carga horária de 180 horas, realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tive a oportunidade de multiplicar esse curso para duas turmas de professores de Matemática da Rede Municipal de Ensino, sendo gratificante para mim poder mudar um pouco a visão que tinham da referida disciplina e transformá-la em algo prazeroso e contextualizado com o cotidiano do aluno..
Através da Universidade Federal do Ceará (modalidade de ensino à distância), concluí o Curso Gestão Democrática e Protagonismo Cidadão, com uma carga horária de 120 horas, no período de Maio a Setembro de 2005.
Em 2007, o desafio tornou-se ainda maior: assumi a Secretaria de Educação do Município de Assaré, onde estou até hoje. A minha gestão é pautada no seguinte lema: “Educando com qualidade, respeitando as diversidades”, por entender que a qualidade do ensino ofertado é fundamental para desenvolvermos uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária, onde todos respeitem e sejam respeitados e não haja distinção de gênero, raça, cor, religião e cultura.
Durante essa gestão, de 2007 a 2008, procurei desenvolver um trabalho pautado na missão de “definir as políticas públicas da Rede Municipal de Educação em consonância com as diretrizes nacionais e estaduais, buscando a melhoria da qualidade do ensino com foco no acesso, permanência e sucesso dos alunos na escola.” Entretanto, sou consciente de que esse sucesso implica nas várias questões sociais que permeiam o fazer pedagógico e as ações administrativas, dificultando a implementação de políticas que venham transformar a realidade educacional existente no Município.
Isso me faz refletir sobre a visão da educação municipal que é “garantir o acesso, a permanência e a melhoria da aprendizagem em todas as modalidades de ensino”, implicando num desafio difícil de ser enfrentado por existirem inúmeros condicionantes de ordem sócio-política e cultural que requerem um processo constante de auto-organização, num projeto coletivo de trabalho, tendo em vista a direção política pretendida.
A partir dessa visão, implementei um trabalho voltado para: correção dos índices educacionais; reordenação do Parque Escolar visando a nucleação das escolas e o combate às turmas multisseriadas; polarização das escolas; correção do fluxo escolar; regularização das escolas junto ao Conselho Estadual de Educação; fortalecimento dos conselhos escolares; resgate e criação das unidades executoras favorecendo o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE); reestruturação do Plano Municipal de Educação; implementação de políticas voltadas para a formação continuada dos professores; promoção de programas de formação inicial e continuada para os profissionais de serviço e de apoio escolar; implantação gradativa de laboratórios de informática, artes, ciências e sala de recursos multifuncionais; adequação dos espaços escolares às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida; entre outras ações.
No ano de 2008, aconteceram as eleições para prefeito municipal. Como tinha cargo de confiança, trabalhei pela reeleição do atual prefeito. Desta forma, fui reconduzida ao cargo de secretária municipal de educação para o quadriênio de 2009 a 2012, dando continuidade às ações que vinham sendo implementadas através do Plano de Trabalho Anual dessa Instituição.
A descentralização do fazer pedagógico é o foco da minha gestão, pois concede aos núcleos gestores a autonomia necessária para mediação dos conflitos e desenvolvimento da proposta pedagógica construída por cada escola. Essa autonomia vai desde os planejamentos pedagógicos que são adequados à realidade da escola e por modalidade de ensino, até às tomadas de decisão a nível geral de gestão. Ressalto o atendimento especial para os professores de turmas multisseriadas, desenvolvido pelo Sistema de Apoio Pedagógico (SAP) da Secretaria Municipal de Educação.
No momento, estou participando de uma especialização em Mídias na Educação, para tentar acompanhar o avanço das tecnologias e entender o processo de inserção da informática na prática pedagógica, como também do curso “Gestão e Avaliação da Educação Pública”, promovido pela Secretaria da Educação do Estado do Ceará, através do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAED) da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG ( UFJF ).
Durante esses vinte e nove anos de experiência em educação, que como citei antes, partiu de uma sala de aula até a gestão de uma Secretaria Municipal, vivenciei acontecimentos que marcaram a história da educação brasileira. Entre eles, a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (nº 9.394) no ano de 1996. A referida lei trouxe inovações diversas, entre elas podemos citar: o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno desenvolvimento da leitura, da escrita e do cálculo; a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
Outro acontecimento notável foi a construção do Plano Nacional de Educação (entre 2001 e 2010), que resultou da discussão, nas duas casas legislativas federais (Câmara e Senado), de dois projetos de lei, o do MEC e o da sociedade brasileira. Em síntese, o PNE tem os seguintes objetivos: a elevação global do nível de escolaridade da população; a melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis; a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso à escola pública e à permanência, com sucesso, nela; a democratização da gestão do ensino público nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação, na elaboração do projeto pedagógico da escola e da participação da comunidade escolar e local em conselhos escolares e equivalentes.
Esses documentos serviram de norte para a execução de uma gestão participativa no Município pautada na necessidade de estabelecer objetivos e metas quanto a de prever formas organizativas e procedimentos mais explícitos de gestão e de articulação das relações humanas. A organização torna-se um agrupamento humano formado por interações entre pessoas com cargos diferentes, especialidades distintas e histórias de vida singulares que, entretanto, compartilham objetivos comuns e decidem, de forma pública, participativa e solidária, os processos e os meios de conquista desses objetivos.
Existem, assim, objetivos e processos de decisão compartilhados, mas não há ausência de direção; ao contrário, admite-se a conveniência de canalizar a atividade das pessoas para objetivos e executar as decisões, considerando, de um lado, a necessidade de realizar com eficácia as tarefas, de cumprir os objetivos, de obter resultados, de fazer a organização funcionar e de realizar avaliações; e, de outro, a necessidade de coordenar o trabalho das pessoas, de assegurar um ótimo clima de trabalho, de enfrentar e superar os conflitos, de propiciar a participação de todos nas decisões, em discussão aberta e pública dos fatos, com confiança e respeito aos outros.
Diante do exposto, esses documentos me propiciaram alguns modelos de ações concretas e algumas competências profissionais que asseguram o desenvolvimento da prática de gestão participativa no Município, valendo a pena ressaltar: formação de uma boa equipe de trabalho; construção de uma comunidade democrática de aprendizagem; promoção de ações de desenvolvimento profissional; envolvimento dos alunos em processos de solução de problemas e de tomada de decisões; envolvimento dos pais na vida da escola; fortalecimento de formas de comunicação e de difusão de informações; avaliação do sistema escolar, das escolas e da aprendizagem dos alunos.
Concluindo esta reflexão, percebo que os resultados, em educação, são a longo prazo o que não descaracteriza o meu desejo de ousar em buscar novos caminhos que me conduzam a uma compreensão mais profunda das relações sociais e, consequentemente, a uma efetiva participação nas atividades de ensino, pesquisa e extensão e, sobretudo, que favoreçam-me avançar como ser político comprometido com um novo projeto de sociedade.




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